Hoje acordei vermelha
em chamas
e fui logo procurar
algo que bem representasse
meu humor
pelo armário
Sabe o que é?
é que eu me visto de cores
ontem por sinal gastei o branco
à toa
nem estava tão pacífica assim
Há também certos dias
confesso
que meu humor vai mudando
se alterando
conforme o decorrer
das horas
e no fim do dia
mal entendo a blusa
amarela
em contato com
minha pele
Amarelo?
mas me sinto completamente negra agora!
e apresso-me a me despir
e tirar de mim
tais falsos sinais
em forma de roupas
Se quer saber
como me sinto
melhor do que perguntar
é observar
Simplesmente
veja minhas vestes
o que elas te dizem?
Quase sempre elas
me traduzem melhor
do que um bocado de meias frases
meio tortas
e mascaradas
segunda-feira, 25 de junho de 2012
pontuação pra quê
chega rindo à toa a menina conclui que talvez tenha bebido vinho demais mas sinceramente nem se importa só demorou um bocado para encontrar as chaves em sua bolsa e mais ainda para abrir a porta a maçaneta parece muito pequena para aquela chave e ambas ficam a discutir um bocado antes de se encaixarem e a menina bebinha conseguir abrir o portão entra sobe as escadas com sua saia longa e um lenço na cabeça olha para o rapaz bonito que a acompanha e fica pensando que hoje ele está mais bonito ainda os dois riem quase tropeçam um no outro e ela disfarçando a quase queda se aconchega no último degrau do primeiro nível de escadas e diz para ele que não tem forças para chegar no quarto andar como quem já já vai bater os pézinhos ele ri acha graça e se encanta mais ainda pela namorada manhosa então levanta ela e a coloca de cabeça pra baixo apoiada em seus ombros subindo escada acima ela reclamando enquanto ri e bate em suas costas ele sorriso estampado parecem dois pombinhos chegando na noite de núpcias a dona rita vizinha chata do 302 desce com seu cachorro e olha feio para aqueles jovens na flor da idade no auge da vida e tão apaixonados e eles nada incomodados dão a ela um bom dia e dois sorrisões estampados no rosto como quem pensa em disfarçar a descontração e depois se pergunta por que disfarçar e desiste aceitando os juízos de valores alheios afinal essa dona rita não incomoda tais jovens corpos e principalmente jovens espíritos agora a questão é mais conturbada ainda ele tem que encontrar a chave da porta do apartamento e abrí-la com as doses do vinho subindo à cabeça e com a sua amada ainda dependurada de cabeça pra baixo apoiada em seu ombro direito mas até que ele tá se virando bem e ela continua batendo em suas costas com os punhos fechados e cada vez rindo e gritando mais me solta ela diz vai amor me solta e eu mera expectadora tinha dito antes que os dois pareciam recém-casados né e agora pergunto por que pareciam e não são não há nada que desconfigure a condição deles de pombinhos em noite de núpcias a não ser o pequeno e ínfimo fato de que não se casaram hoje mas quem se importa eu não e nem ele e nem ela portanto declaro os dois casados para os fins de que tenham a sua noite de núpcias de hoje como bem merecem
domingo, 17 de junho de 2012
como se
engraçado
depois de tantos anos
existem momentos
que parece simplesmente que nós dois nunca nos desfazemos
e até parece que seu gosto nunca saiu de mim
que seu sorriso nunca deixou de habitar meus sonhos
que nossas mãos nunca ameaçaram dizer um adeus sequer
é como se esses anos mal tivessem existido
como se tivéssemos ficado sem nos ver apenas no dia de ontem
e hoje tá tudo certo, tudo igual
eu e você, juntinhos
estamos avistando o mar
entre brincadeiras na areia
e beijos-mordidinhas
e fazendo planos para as próximas horas
ou para as próximas férias
sinto como se eu sempre tivesse sido sua
e você, só meu
depois de tantos anos
existem momentos
que parece simplesmente que nós dois nunca nos desfazemos
e até parece que seu gosto nunca saiu de mim
que seu sorriso nunca deixou de habitar meus sonhos
que nossas mãos nunca ameaçaram dizer um adeus sequer
é como se esses anos mal tivessem existido
como se tivéssemos ficado sem nos ver apenas no dia de ontem
e hoje tá tudo certo, tudo igual
eu e você, juntinhos
estamos avistando o mar
entre brincadeiras na areia
e beijos-mordidinhas
e fazendo planos para as próximas horas
ou para as próximas férias
sinto como se eu sempre tivesse sido sua
e você, só meu
sexta-feira, 15 de junho de 2012
louquinha, louquinha
seus olhos
me infiltram
me secam
me adentram
e me tomam de um jeito
que saio pelo salão
quase possuída
num rodopio sem fim
rasgando minhas vestes
esfeitiçada por uma loucura gostosa
acompanhando o som da música ao fundo
eu giro
invadida
bagunço meus cabelos
perco um pé no outro
uma mão, na outra
um movimento nos demais..
eu giro, giro e giro
até ficar tonta
to-da ton-ta
e aí, enfim,
me jogo no chão
me derrubo
escancarada
e rio te encarando
e você
vem se chegando
e se aconchegando
nesse salão gigante e só nosso
deita juntinho, quentinho
me dá um sorriso de volta
e me lança apenas um
"oi, bom dia"
denunciando quão louca
você pensa que sou..
me infiltram
me secam
me adentram
e me tomam de um jeito
que saio pelo salão
quase possuída
num rodopio sem fim
rasgando minhas vestes
esfeitiçada por uma loucura gostosa
acompanhando o som da música ao fundo
eu giro
invadida
bagunço meus cabelos
perco um pé no outro
uma mão, na outra
um movimento nos demais..
eu giro, giro e giro
até ficar tonta
to-da ton-ta
e aí, enfim,
me jogo no chão
me derrubo
escancarada
e rio te encarando
e você
vem se chegando
e se aconchegando
nesse salão gigante e só nosso
deita juntinho, quentinho
me dá um sorriso de volta
e me lança apenas um
"oi, bom dia"
denunciando quão louca
você pensa que sou..
sábado, 26 de maio de 2012
comme musique
je marche dans la rue
peu importe dans quelle direction
ce type de chose n'importe pas
quelque fois, je même me perds
en pensant à toi
avec les écouteurs dans mes oreilles
tout à coup
je suis à l'interior de nos musiques
sais-tu, mon amour?
ce que, dernièrement, tous les chansons d'amour
sont devenus nos
mes et tes
simplesment
parce que elles parlent de l'amour
et moi et toi,
soudain,
nous sommes devenus les sujets principaux
de toute la existence
peu importe dans quelle direction
ce type de chose n'importe pas
quelque fois, je même me perds
en pensant à toi
avec les écouteurs dans mes oreilles
tout à coup
je suis à l'interior de nos musiques
sais-tu, mon amour?
ce que, dernièrement, tous les chansons d'amour
sont devenus nos
mes et tes
simplesment
parce que elles parlent de l'amour
et moi et toi,
soudain,
nous sommes devenus les sujets principaux
de toute la existence
peso
ultimamente tenho me sentido muito pesada
talvez pelas cargas
de expectativas postas sobre mim
tanto pelos outros
quanto - e principalmente - por mim mesma
além disso
tenho sentido uma dificuldade tão grande
de saber o que eu quero
de notar em que direção estou indo
o que tenho buscado
tenho
por isso
ficado nesse marasmo
nesse limbo
o famoso "não fode nem sai de cima"
sim, acho que estou nessa
e vejo,
vindo de longe
mas se aproximando
cada expectativa
cada sonho
dos outros pra mim
meu pelos outros
dos outros por mim
de mim pelos outros
de mim para os outros
dos outros comigo
de mim com os outros
meus com os outros
ai, que confusão!
infinitas cargas
que me aflingem
mais e mais
não sei se correspondo a isso
e mais
mal sei se quero isso, Deus
de repente,
me vejo com a vida traçada
de-ta-lha-da-men-te
cada passo
pré-determinado
agora só depende de mim
é o que dizem
o que depende de mim?
corresponder, simplesmente?
ao que esperam?
ao caminho que eu ameacei traçar,
mas mal conheço?
como sou criança...
uma doce menina
que ontem mesmo
brincava de bonecas
escrevia bilhetinho na sala de aula para as amigas
sonhava que o menino mais bonito da sala
era também o meu futuro príncipe encantado
achava que a vida era assim, simples
acreditando nas palavras que meu pai dizia pra mim
em voz suave
naquele tom de amor
carinhosamente
nos meus ouvidos
"filha, você pode ser qualquer coisa que quiser ser no mundo"
quem dera tudo fosse tão simples
e bastasse chegar em casa chorando
pra resolverem tudo pra mim
confortarem minh'alma e coração
e me deixarem nova pro dia seguinte
quem dera
a adolescencia chegou e passou
- época terrível -
e as responsabilidades que chegaram
não mais se vão
o tempo não volta
e não pára
não da pra voltar atrás, baby
acho que o peso que tenho sentido
afinal
até que está bem justificado
talvez pelas cargas
de expectativas postas sobre mim
tanto pelos outros
quanto - e principalmente - por mim mesma
além disso
tenho sentido uma dificuldade tão grande
de saber o que eu quero
de notar em que direção estou indo
o que tenho buscado
tenho
por isso
ficado nesse marasmo
nesse limbo
o famoso "não fode nem sai de cima"
sim, acho que estou nessa
e vejo,
vindo de longe
mas se aproximando
cada expectativa
cada sonho
dos outros pra mim
meu pelos outros
dos outros por mim
de mim pelos outros
de mim para os outros
dos outros comigo
de mim com os outros
meus com os outros
ai, que confusão!
infinitas cargas
que me aflingem
mais e mais
não sei se correspondo a isso
e mais
mal sei se quero isso, Deus
de repente,
me vejo com a vida traçada
de-ta-lha-da-men-te
cada passo
pré-determinado
agora só depende de mim
é o que dizem
o que depende de mim?
corresponder, simplesmente?
ao que esperam?
ao caminho que eu ameacei traçar,
mas mal conheço?
como sou criança...
uma doce menina
que ontem mesmo
brincava de bonecas
escrevia bilhetinho na sala de aula para as amigas
sonhava que o menino mais bonito da sala
era também o meu futuro príncipe encantado
achava que a vida era assim, simples
acreditando nas palavras que meu pai dizia pra mim
em voz suave
naquele tom de amor
carinhosamente
nos meus ouvidos
"filha, você pode ser qualquer coisa que quiser ser no mundo"
quem dera tudo fosse tão simples
e bastasse chegar em casa chorando
pra resolverem tudo pra mim
confortarem minh'alma e coração
e me deixarem nova pro dia seguinte
quem dera
a adolescencia chegou e passou
- época terrível -
e as responsabilidades que chegaram
não mais se vão
o tempo não volta
e não pára
não da pra voltar atrás, baby
acho que o peso que tenho sentido
afinal
até que está bem justificado
quinta-feira, 17 de maio de 2012
"Amor?"
Cansada de brigas, desligo o celular porque hoje quero tentar dormir tranquila. Como o sono não vem fácil assim, ligo a TV e, por acaso - ou não -, no GNT ta passando aquele documentário chamado "Amor?". Decidi assistir.
Não tinha sido a primeira vez que o assisti, apesar de sempre pegar o filme no meio e ir descobrindo uma nova parte dele toda vez que tá passando pela tv. Contudo, dessa vez foi diferente, a coincidência do documentário estar passando naquela hora, depois de tanto desgate, me fez pensar e, mais do que isso, analisar o meu próprio relacionamento amoroso.
Para quem não sabe, o documentário fala sobre o limite entre o amor e a violência, tratando de relatos reais nos quais a face violenta da paixão foi se mostrando nas relações amorosas em questão. Não se trata se um documentário sobre violência doméstica simplesmente, tendo por objetivo a análise dessa fronteira: afinal, onde acaba a paixão e onde começa a violência?
A princípio, nos deparar com essas histórias de ciúmes, culpa, dor e poder excessivos em meio a relacionamentos de pessoas comuns, de classe média, que aparentemente poderiam ser nossos pais, irmãos, vizinhos, amigos, acaba nos assustando um pouco. Normalmente, não atentamos para o fato de que na nossa casa ou, de repente, no nosso prédio, diariamente estão sendo escritas histórias sobre violência moral, psicológica e física nos relacionamentos amorosos. A maneira que essas pessoas deixam que tais sentimentos doentios se externalizem em violência de todo o tipo parece estranha a nós, nos assusta. Como é possível perder a cabeça dessa forma? Aí que se encaixam, inclusive, os crimes passionais, frutos desse momento de desespero que leva à erupção da violência.
Como explicado por João Jardim, diretor do filme, o documentário não é simplesmente sobre a patologia em questão. O que o interessou foi o lado do amor que seria o peso que, contraposto ao da violência quase diária, ganharia a batalha a cada vez que a vítima (e será que existe vítima strictu sensu numa situação dessas?) analisava se deveria ou não abandonar o barco já repleto de furos - mas afinal, até quando esse baldinho de kit de praia infantil vai dar conta de tirar essa água que não para de entrar no barco? Até quando vou precisar fazer esse esforço praticamente ineficaz em prol do "amor"?
Na minha humilde ignorância sobre o assunto, desconfio que os agressores desses referidos relacionamentos não necessariamente sejam apaixonados pelas pessoas objetos de seus ataques de fúria, de suas tentativas de anular auto estima do outro e da própria violência física, mas sim apaixonados pelo drama.
Há algumas semanas, saí para beber uma cerveja com uma sábia amiga minha e, durante a análise do comportamento aparentemente incompreensível de uma terceira, também minha amiga, ela disse que a tal menina parecia ser viciada no drama.
De fato, fazia sentido. Tanto fazia que, por ser assim, a tal menina estuda Cinema hoje em dia.
A cerveja até esquentou de tanto que conversamos, mas a conversa acabou e isso ficou na minha cabeça.
De fato, tem gente que é viciada no drama. Olha, não to falando de gente que reclama diariamente do trabalho, do namorado(a) ou do tempo - isso pode ser só mal humor, cansaço ou chatice, males do qual eu e metade do mundo também padecemos. Eu to falando de vício em drama mesmo, naquela pessoa que está sempre definhaaando, sofreeendo, amaaando de paixão e se descabelaaando por aí.
Agora vou voltar pro começo da minha história pra tentar ligar uma coisa na outra: bem, como eu disse, já havia visto o filme algumas vezes, mas dessa vez eu percebi que estava inserida numa relação violenta.
Assim como tendemos a nos assustar quando pensamos que existem relacionamentos amorosos muito violentos acontecendo agora em meios muito próximos a gente, temos dificuldade de perceber que estamos inseridos numa situação dessas.
Quando há violência física, acredito que o tempo necessário para "a ficha cair" seja menor, até porque os outros tipos de violência são pouco tratados na nossa sociedade. Se uma amiga sua te diz que o namorado bateu nela, você e qualquer pessoa logo vão se revoltar e dizer que ela não pode aceitar isso, que precisa terminar e todo aquele discurso o qual já conhecemos bem. E se ela te contar que o namorado a insultou, a humilhou? Nem todo mundo vai dizer de cara que ela precisa sair dessa. É capaz da pessoa até tentar melhorar a situação do cara, dizendo que ele podia estar de cabeça quente pelo motivo X ou Y e que ama muito ela, por isso ás vezes acaba se comportando assim.
Apesar de pouco apresentada na nossa sociedade, a violência moral e psicológica pode provocar tantos danos quanto à física - as cicatrizes podem, inclusive, ser mais profundas, dependendo do caso. O olhar de censura e as alfinetadas do começo do relacionamento vão ficando cada vez mais frequentes e o desejo de humilhar e ofender o parceiro acaba, eventual e gradualmente, por destruir a auto estima deste que, consequentemente, se deprime e se culpa.
Decididamente, o excesso de controle, manifestações de poder, ciúmes excessivos e ameaças, entre outras coisas, não são características de um relacionamento minimamente saudável, constituindo patologia. Quando finalmente absorvermos isso, poderemos, a partir daí, repelir tais comportamentos, afastando os relacionamentos que nos agrida com tal violência de nossas vidas e, de repente, até do dia a dia de pessoas próximas, através de conselhos em meio a um desabafo de um amigo.
Resumindo, definitivamente, não é porque o cara - ou a mulher, quem disse que só o homem tende a agredir nesse sentido? - não te deu um tapa que o caso/namoro/casamento de vocês não é violento.
Não tinha sido a primeira vez que o assisti, apesar de sempre pegar o filme no meio e ir descobrindo uma nova parte dele toda vez que tá passando pela tv. Contudo, dessa vez foi diferente, a coincidência do documentário estar passando naquela hora, depois de tanto desgate, me fez pensar e, mais do que isso, analisar o meu próprio relacionamento amoroso.
Para quem não sabe, o documentário fala sobre o limite entre o amor e a violência, tratando de relatos reais nos quais a face violenta da paixão foi se mostrando nas relações amorosas em questão. Não se trata se um documentário sobre violência doméstica simplesmente, tendo por objetivo a análise dessa fronteira: afinal, onde acaba a paixão e onde começa a violência?
A princípio, nos deparar com essas histórias de ciúmes, culpa, dor e poder excessivos em meio a relacionamentos de pessoas comuns, de classe média, que aparentemente poderiam ser nossos pais, irmãos, vizinhos, amigos, acaba nos assustando um pouco. Normalmente, não atentamos para o fato de que na nossa casa ou, de repente, no nosso prédio, diariamente estão sendo escritas histórias sobre violência moral, psicológica e física nos relacionamentos amorosos. A maneira que essas pessoas deixam que tais sentimentos doentios se externalizem em violência de todo o tipo parece estranha a nós, nos assusta. Como é possível perder a cabeça dessa forma? Aí que se encaixam, inclusive, os crimes passionais, frutos desse momento de desespero que leva à erupção da violência.
Como explicado por João Jardim, diretor do filme, o documentário não é simplesmente sobre a patologia em questão. O que o interessou foi o lado do amor que seria o peso que, contraposto ao da violência quase diária, ganharia a batalha a cada vez que a vítima (e será que existe vítima strictu sensu numa situação dessas?) analisava se deveria ou não abandonar o barco já repleto de furos - mas afinal, até quando esse baldinho de kit de praia infantil vai dar conta de tirar essa água que não para de entrar no barco? Até quando vou precisar fazer esse esforço praticamente ineficaz em prol do "amor"?
Na minha humilde ignorância sobre o assunto, desconfio que os agressores desses referidos relacionamentos não necessariamente sejam apaixonados pelas pessoas objetos de seus ataques de fúria, de suas tentativas de anular auto estima do outro e da própria violência física, mas sim apaixonados pelo drama.
Há algumas semanas, saí para beber uma cerveja com uma sábia amiga minha e, durante a análise do comportamento aparentemente incompreensível de uma terceira, também minha amiga, ela disse que a tal menina parecia ser viciada no drama.
De fato, fazia sentido. Tanto fazia que, por ser assim, a tal menina estuda Cinema hoje em dia.
A cerveja até esquentou de tanto que conversamos, mas a conversa acabou e isso ficou na minha cabeça.
De fato, tem gente que é viciada no drama. Olha, não to falando de gente que reclama diariamente do trabalho, do namorado(a) ou do tempo - isso pode ser só mal humor, cansaço ou chatice, males do qual eu e metade do mundo também padecemos. Eu to falando de vício em drama mesmo, naquela pessoa que está sempre definhaaando, sofreeendo, amaaando de paixão e se descabelaaando por aí.
Agora vou voltar pro começo da minha história pra tentar ligar uma coisa na outra: bem, como eu disse, já havia visto o filme algumas vezes, mas dessa vez eu percebi que estava inserida numa relação violenta.
Assim como tendemos a nos assustar quando pensamos que existem relacionamentos amorosos muito violentos acontecendo agora em meios muito próximos a gente, temos dificuldade de perceber que estamos inseridos numa situação dessas.
Quando há violência física, acredito que o tempo necessário para "a ficha cair" seja menor, até porque os outros tipos de violência são pouco tratados na nossa sociedade. Se uma amiga sua te diz que o namorado bateu nela, você e qualquer pessoa logo vão se revoltar e dizer que ela não pode aceitar isso, que precisa terminar e todo aquele discurso o qual já conhecemos bem. E se ela te contar que o namorado a insultou, a humilhou? Nem todo mundo vai dizer de cara que ela precisa sair dessa. É capaz da pessoa até tentar melhorar a situação do cara, dizendo que ele podia estar de cabeça quente pelo motivo X ou Y e que ama muito ela, por isso ás vezes acaba se comportando assim.
Apesar de pouco apresentada na nossa sociedade, a violência moral e psicológica pode provocar tantos danos quanto à física - as cicatrizes podem, inclusive, ser mais profundas, dependendo do caso. O olhar de censura e as alfinetadas do começo do relacionamento vão ficando cada vez mais frequentes e o desejo de humilhar e ofender o parceiro acaba, eventual e gradualmente, por destruir a auto estima deste que, consequentemente, se deprime e se culpa.
Decididamente, o excesso de controle, manifestações de poder, ciúmes excessivos e ameaças, entre outras coisas, não são características de um relacionamento minimamente saudável, constituindo patologia. Quando finalmente absorvermos isso, poderemos, a partir daí, repelir tais comportamentos, afastando os relacionamentos que nos agrida com tal violência de nossas vidas e, de repente, até do dia a dia de pessoas próximas, através de conselhos em meio a um desabafo de um amigo.
Resumindo, definitivamente, não é porque o cara - ou a mulher, quem disse que só o homem tende a agredir nesse sentido? - não te deu um tapa que o caso/namoro/casamento de vocês não é violento.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
sim, esse é pra você!
você pega,
aparece na hora certa
e me estende a mão,
o braço,
o ombro
e o que mais for!
me consola,
me ouvindo falar
de um outro amor
organiza minhas idéias
vai cicatrizando minhas feridas..
e me convence,
depois de terem
quase que anulado
a minha auto estima,
que eu mereço mais
meu bem,
aqui,
nesse poeminha-recado,
sem pretensão de ser poesia,
eu queria só te dizer
um obrigada
aparece na hora certa
e me estende a mão,
o braço,
o ombro
e o que mais for!
me consola,
me ouvindo falar
de um outro amor
organiza minhas idéias
vai cicatrizando minhas feridas..
e me convence,
depois de terem
quase que anulado
a minha auto estima,
que eu mereço mais
meu bem,
aqui,
nesse poeminha-recado,
sem pretensão de ser poesia,
eu queria só te dizer
um obrigada
sábado, 21 de abril de 2012
cão e gata
você
e
eu
por vezes, um
depois do café, rivais
entre o cinema e o jantar, amigos
antes de dormir, amantes
nos domingos, namorados
às segundas, mal falamos
às terças, apaixonados
às quartas, você entrava uma briga
às quintas, inimigos
às sextas, affairs novamente
- e aos sábados?
- depende da semana..
e
eu
por vezes, um
depois do café, rivais
entre o cinema e o jantar, amigos
antes de dormir, amantes
nos domingos, namorados
às segundas, mal falamos
às terças, apaixonados
às quartas, você entrava uma briga
às quintas, inimigos
às sextas, affairs novamente
- e aos sábados?
- depende da semana..
5 sentidos
hoje,
embora um dia
como
outro qualquer,
o quarto
parece estar
é sexta-feira
e
os meus
sentidos
se direcionam
todos
para você.
seu toque,
ainda em minha pele..
- epiderme coberta
de você -
seu charme,
em forma de
pintas,
ainda domina minha visão..
é tudo o que eu vejo
sua voz
doce
misturada
com o som
do seu
violão
fez residência
em
meus ouvidos
escuto vocês
all
day
long..
seu cheiro,
já entranhado
em
minha
tona,
nariz
e cabelos
- por todos
os fios - ..
enfin,
seu gosto
ficou
no
meu paladar..
qualquer
coisa
que eu
beba
ou coma
embora um dia
como
outro qualquer,
o quarto
parece estar
a i n d a
m a i svazio.
é sexta-feira
e
os meus
sentidos
se direcionam
todos
para você.
seu toque,
ainda em minha pele..
- epiderme coberta
de você -
seu charme,
em forma de
pintas,
ainda domina minha visão..
é tudo o que eu vejo
sua voz
doce
misturada
com o som
do seu
violão
fez residência
em
meus ouvidos
escuto vocês
all
day
long..
seu cheiro,
já entranhado
em
minha
tona,
nariz
e cabelos
- por todos
os fios - ..
enfin,
seu gosto
ficou
no
meu paladar..
qualquer
coisa
que eu
beba
ou coma
não apaga ele de lá.
Assinar:
Postagens (Atom)