terça-feira, 30 de agosto de 2011

num piscar

seguindo estrelas,
busca se encontrar

solto no mundo
solto e feliz

só e contente
completo,
fora embora de mim

cadê o vazio?
cadê a paixão?
tudo desabava

na estação,
olho nos olhos de todos
procuro em cada rosto
você

procuro em cada vão,
em cada vagão,
seu sorriso

desapegado demais,
desatou nossos laços num piscar,
assim, coisa simples
como desamarrar uns cadarços..

lição de um verão

me recebe com abraço,
colo gostoso,
já familiar

com a felicidade estampada no rosto,
com o coração mole,
que aos poucos é confortado
com o beijo sincero da filha que chegou

ela me diz:
- minha filha, sobreviveu a essa loucura, heim?
- não, mãe, não sobrevivi, eu vivi!

sobreviver, sobrevivo aqui
perdida no meio dessa rotina
deixando a faculdade, o stress, a falta de sono e de sonhos
me corroer aos poucos

sobreviver, não quero mais,
passo, dispenso

isso é pros fracos de espírito,
acomodados,
infelizes

quero Viver com V maiúsculo,
quero amar, das mais variadas maneiras possíveis,
quero me perder,
quero me encontrar

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

you feel like home

vejo vultos teus aqui pelas ruas da españa
sinto teu cheiro,
que brota de todos os travesseiros
nos quais deito minha cabeça à noite...
os abraço,
tentando sem sucesso
te trazer pra perto.

meu (in)consiente te guardou comigo..
marcou demais, é isso!
em qualquer lugar do mundo,
te sinto..

hoje tudo o que eu queria era poder parar o tempo
te encontrar
dormir juntinho
e te sentir em carne e osso
e não só através de lembranças e delírios...

essa distância machuca,
fico fantasiando pensando se você ainda me quer
com quem tem estado
e se essas garotas que você beija
conseguem fazer você esquecer de mim..

você,
que tão feel like home to me.....
queria só um dia do teu lado agora,
tô precisando, amor!

despite everything,
você quase do outro lado do mundo,
home,
porto seguro,
the best one,
e,
mesmo no meio de tantos outros,
mesmo com todas as milhas de distância,
my only one,
já que quando penso em alguém,
só penso em você

amor de verão

bonito,
que laço é esse?
que sobrevive ao tempo e a distância

que laço é esse, heim?
que ficou conosco
que simplesmente não desatou
mesmo depois do nosso adeus
mesmo depois de eu voltar para essas terras tropicais

o laço ficou
e, junto dele, as lembranças
do seu sorriso gostoso
das nossas salsas
dançadas
ou de manhã
ou de tarde
ou de noite,
mas sempre dançadas
da sua bondade,
- coracão tão puro, de ouro
ou seria ele de cristais?
olhar que me esquentava por dentro
deitados na grama do schönbrunn
vendo a vista da cidade
ou admirando o pôr-do-sol
à beira do danúbio
cafuné gostoso
suas palavras suaves
você, na sua,
de um jeito tão sexy,
de um jeito que combina tanto comigo
e essas milhas e milhas de distância
tornando impossível esse nosso sonho

sonho que ficou em marseille,
sonho que ficou em vienna,

enfim,
impossível lembrar do velho continente,
sem lembrar de você, bonito

mas quem sabe um dia
nunca se sabe o que a vida nos prepara

mas mesmo se isso nunca passar de um amor de verão
que ficou nos parques, boates, canções..
valeu, bonito
- e como valeu! -

te espero pelas terras tropicais, bonito
mas não tarde
porque você é bonito demais
por dentro e por fora, bonito

te espero, bonito
te espero

através da poesia

ele era poeta
escrevia como se pudesse tê-la

ela transparecia em seus olhos, rosto e suspiros
a vontade que sentia ao lê-lo
como se imaginasse
que pudesse ser a sua única inspiração
como se ousasse crer
que todos aqueles poemas tivessem sido escritos para ela

ela era poeta
escrevia aflita
escrevia porque sem a poesia se sentia incompleta
e também porque era esse o jeito que havia encontrado
de se despir para ele
de deixá-lo saber como ela se sentia,
tudo o que doía nela

ele a lia
procurando nas poesias
entender o silêncio da menina

se comunicavam por poesias
e who knows someday,
como ele sempre lhe dizia..

a romântica inquieta

ela entrava na casa
ainda procurando por ele
se lembrando das frases
trocadas
imaginadas

pensando se ele também pensava nela
e como
quando
com que frequência

remoendo
o que fora verdade
e o que ainda seria,
o que ficou na vontade
e o que ficou pra poesia..

terça-feira, 14 de junho de 2011

Mil facetas de mim mesma

Hoje, me lendo, percebi que sempre vaguei por vários universos bem distintos um do outro...
Só na escola, eu era amiga dos inteligentes, da galera do fundão, dos professores, dos excluídos.. Além disso, tinha a minha família, o pessoal da igreja, do vôlei, do jazz, do ballet... Depois, o pessoal da outra escola, do inglês, do francês, da dança de salão, da faculdade, da loja, os agregados... Enfim, infinitos grupos me cercavam, companhias certas e tortas, velhas e novas...
E, em cada universo desses, eu era uma Gabrielle. Em alguns, meu lado extrovertido se sobressaía mais, em outros, minha sinceridade se aflorava, em outros, minha teimosia que era a minha marca registrada. Isso sempre me fez muito bem, pude assumir um milhão de eus, eus que são a mistura de elementos meus e elementos que estão à minha volta, eus que são a minha resposta à maneira que as pessoas me tratam, ao ambiente que frequentamos, aos assuntos que conversamos.
Nessa, vou me construindo e me conhecendo, percebendo as várias facetas que eu tenho. Afinal, nós, seres humanos, não somos uma coisa ou outra, mas sim um leque de possibilidades dentro do que a nossa personalidade nos permite. Violenta, por exemplo, está fora do que a minha personalidade me permite, logo não sou violenta com nenhuma das pessoas com quem lido. Porém, posso ser mais ou menos desbocada, mais ou menos largada, mais ou menos vaidosa, mais ou menos carinhosa... Isso vai depender de com quem estou lidando, do lugar que eu estou, da ocasião que se trata. Sou feita de todos esses meus eus... Eles são pedacinhos de mim que eu vou guardando comigo, que vão me ajudando a chegar ao produto final, que sou eu: um eu que se altera a cada dia, a cada convívio com o próximo, a cada palavra, a cada lembrança nova...
Há quem diga que essa história de mudar conforme o ambiente é errado, que é coisa de quem não tem personalidade, de quem finge ser o que não é. Discordo. Isso é balela pra mim. Mudar de acordo com o ambiente é o normal e é uma arte, a arte de se adaptar e de ser mil em um. Me diz se você é o mesmo com o pessoal do seu trabalho e com os seus amigos de infância? Claro que não! Mas a questão é que as pessoas, normalmente, não se abrem a diferentes grupos, escolhendo sempre amigos com personalidades parecidas. Assim, também se comportam de maneira parecida com eles.
Atacar uma pessoa por ela ser várias ao mesmo tempo é subestimar a complexidade da mesma, pura ignorância. Chega a ser falta de auto-conhecimento, porque todos somos mil em um, mas alguns se permitem inovar mais do que outros. O importante mesmo é que o nosso comportamento depende de diversas variáveis, mas a nossa essência é a mesma em todos os grupos, sempre: com certos amigos, você pode viver falando de política e com outros, só de futebol ou de maquiagem, mas o seu olhar, o seu cheiro, o seu sorriso vão ser os mesmos em ambos!
Andamos na terra e nadamos na água, somos feitos pra isso: nos adaptar nos diferentes ambientes. E o que é melhor: andar na terra ou nadar na água? Não tem melhor, as duas coisas podem ser maravilhosas. Nadar num mar cristalino num dia de sol impecável em boa companhia pode ser um programa inesquecível, mas quem vai dizer que passear com seu amor dentre algumas lindas ruazinhas de uma cidade igualmente linda num feriado, deixando todos os problemas de lado, não pode ser um programa tão bom quanto?

mesa de bar

beijo pra cá,
abraço pra lá,
e os comprimentos anunciam o reencontro dos amigos

tanta história pra contar,
a saudade latejando no peito,
se despedindo va-ga-ro-sa-men-te

tanta coisa que vivi que queria ter vivido com vocês,
tanta coisa que viveram que eu também queria ter estado presente,
tanto carinho,
tanta cumplicidade!

lembranças boas e histórias novas,
todas postas sobre a mesa

ouvem-se risos,
nota-se felicidade
ela está estampada nos rostos daqueles mesmos amigos

os velhos olhares,
as antigas manias,
tudo tão agradável!

vontade de que a noite não acabe,
torcida para que tenhamos outra como esta
logo,
em breve,
como antigamente

na despedida,
diversos "eu te amo" são ditos
em forma de abraços,
sorrisos
e apertos de mão

ao mesmo tempo,
aquela saudade já matada,
vai se reinstalando,
se realojando,
tudo de novo,
bem no peito

nua

você
me olha,
me sente,
me invade de um jeito
que meu peito aperta,
e as lágrimas,
ainda que contrariadas,
caem..
você me lê de um jeito..
e então estamos bem novamente
e você entende
o que com palavras não posso explicar

segunda-feira, 13 de junho de 2011

amazing

de repente,
me vejo presa a você
sem nenhuma corrente,
sem nenhuma coleira,
mas presa

presa porque não quero me afastar
presa porque ficar sem você é ruim demais
presa porque suas lembranças não me deixam mais em paz

não vejo mais porque beijar outras bocas
se eu já sei que beijar a sua é sempre melhor
não vejo mais graça em dormir sozinha,
seu lado da cama sente sua falta
o vento frio não me deixa relaxar
a falta do seu abraço deixa o meu coração apertado...

apesar de você ser mais novo,
apesar de tantas vezes parecer tão imaturo,
apesar de tentar me afastar com atitudes tão bobas,
com simples falta de cuidado... sem pensar, sem querer...

apesar de,
é por você que meu corpo chama,
é em você que eu penso ao acordar
é a você que dedico os meus versos...

apesar de,
apesar de,
apesar de,
saiba que eu amo você!